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A MISERICÓRDIA é uma casa sempre aberta

clique para ampliar “Para mim, a misericórdia é uma casa sempre aberta, como os braços de Deus, como o seu coração...”.
É o que Ernesto Olivero escreveu sobre a abertura do Ano Santo da Misericórdia. Para o fundador do SERMIG - Fraternidade da Esperança, “Quando conseguirmos tornar nosso esse estilo de Jesus, entraremos na transcendência e acolheremos plenamente a chamada a ser boa nova para todas as pessoas que batem à porta...”.
Mas não são suficientes só umas poucas pessoas de boa vontade. São necessárias comunidades inteiras, é necessário que a Igreja inteira se converta a essa missão imediatamente!”.


clique para ampliar Quando, em 1983, entramos no velho arsenal militar de Turim, nos encontramos diante de ruínas. Eu o via já reconstruído, o via já Arsenal da Paz. Eu sabia que aquela profecia atravessaria o coração e a estrada de centenas de milhares de pessoas. Não era um lugar feito só para mim, para os meus amigos, para quem professava a mesma fé que eu. Não! Eu sentia que devia entrar naquelas ruínas também em nome de todos os homens e mulheres de boa vontade. Naquele dia, eu tinha comigo a Bíblia que me tinha sido dada pelo meu bispo, Michele Pellegrino, e alguns livros de uma minha amiga que não acreditava em Deus. Entrei com um sonho no coração: o de que aquele Arsenal da Paz seria uma casa sempre aberta e acolhedora, com alguém sempre pronto a escutar, a cuidar, a consolar, a acariciar, com a decisão íntima de não julgar jamais.

clique para ampliar Para mim, a misericórdia é uma casa sempre aberta, como os braços de Deus, como o seu coração, um patrimônio que nos faz dizer com a vida antes ainda que com as palavras: “Entrem, há lugar para todos, a misericórdia que vocês procuram está aqui. O sentido de tudo está aqui”. Quando conseguirmos tornar nosso esse estilo de Jesus, entraremos na transcendência e acolheremos plenamente a chamada a ser boa nova para todas as pessoas que batem à porta: pecadores, homens e mulheres afastados da fé, com sofrimentos indescritíveis. Uma Igreja que se inclina, que escuta, que compreende, que não deixa de fora. Uma Igreja que indica os nãos e os sins que devem ser ditos, consciente de que através de um “não” dito sem frustração é possível descobrir dons imensos. Uma Igreja que é ponte: qualquer erro, qualquer limite, qualquer dúvida pode encontrar misericórdia.

clique para ampliar Em vez disso, hoje para muitas pessoas a Igreja é sinônimo de severidade, de tédio, de proibições. Seria belo se, ao contrário, as pessoas a vissem com os braços abertos, como Jesus a pensou. Quando Jesus diz “Vinde a mim, vós que andais cansados e curvados, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28), Ele dá um rosto preciso à sua Igreja. Se um homem vive um momento de angústia sem fim, a quem pode recorrer? Se um ódio imprevisto está quase transformando sua vida em uma loucura, quem lhe pode dar uma mão? Se é divorciado, que futuro pode ter na Igreja? Se um rapaz se confronta com a sua homossexualidade, se o seu corpo ferve de sensações, quem o pode ajudar? Se um ex-prisioneiro, assassino, depois de ter cumprido a sua pena continua a não dormir à noite pelo remorso, quem o pode acalmar? Se mil jovens são atraídos pela autodestruição, quem é capaz de olhá-los nos olhos com ternura e escutá-los? Se os cristãos têm o bastão nas mãos, o julgamento nos lábios, a dureza no coração, se são severos e ponto final, a quem todas essas pessoas recorrerão? Talvez a uma cartomante, a um guru, a alguma seita, mas não mais à Igreja.

clique para ampliar Não podemos ignorar isso nem nos contentarmos em ser aqueles que “estão dentro”. Procuremos nos converter ao Evangelho, tentemos fazer que a nossa Igreja tenha o coração grande do Pai, a compaixão de Jesus, principalmente pelos perdidos. É urgente que voltemos a colocar em prática o mandamento do amor, o coração da nossa fé. Como sinal de uma concretude confiável. Pensemos nos discípulos de Jesus, nos primeiros cristãos que, apesar dos sofrimentos e das dificuldades, levaram um testemunho decisivo ao mundo pagão que os circundava, porque eram confiáveis e, portanto, dignos de autoridade.
O anúncio era a própria vida deles, verdadeiramente encharcada de Jesus.

Agora esse desafio foi confiado a nós, ao nosso tempo. Temos a oportunidade de indicar o caminho de uma nova humanidade possível, construída sobre o amor. Mas não são suficientes só umas poucas pessoas de boa vontade. São necessárias comunidades inteiras, é necessário que a Igreja inteira se converta a essa missão imediatamente!

clique para ampliar Seria bonito se neste Jubileu nós, cristãos, conseguíssemos reviver as esplêndidas páginas da Carta a Diogneto: cristãos como pessoas que se querem bem, que respeitam as leis, que vivem na própria pátria como forasteiros, que habitam a terra, mas são cidadãos do céu, que não descartam os recém-nascidos, que vivem do próprio trabalho, que não se distinguem por uma roupa em particular, mas são reconhecidos pela bondade, que bendizem quando são maltratados, injuriados e condenados. Eles são a alma do mundo. Nós também podemos ser assim! Cristãos que se amam, que nunca falam mal de ninguém, que quando ficam sabendo de um problema ou de uma pobreza se desdobram para ajudar sem esperar um “obrigado”, que acreditam na luz e no perdão ao alcance de todos, que não condenam ninguém porque são como Jesus, que não condena, mas ama. Continuamente.

Ernesto Olivero