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CF 2014: “O que temos a ver com esse tráfico?”

clique para ampliarLembrar que tudo vem de Deus e que tudo tem que voltar a Ele é o centro da nossa fé como cristãos. Somos criaturas e precisamos continuamente de conversão.
De qualquer conversão?
Não, daquela que acredita profundamente na promessa do Evangelho.
Quando na missa de quarta-feira de cinzas recebemos as cinzas, voltamos o nosso olhar à nossa vida, começamos uma revisão, um “escavar” o nosso ser cristãos e o nosso ser comunidade que, ainda que precise ser feito todos os dias, tem no Tempo de Quaresma o seu momento mais propício.

A comunidade do Arsenal e a comunidade da Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários há vários anos celebram juntas essa etapa importante da caminhada da Igreja rumo à Páscoa. Sentimo-nos Igreja que quer caminhar seguindo as indicações do Evangelho. Nada mais que isso. Somos cristãos que querem ser o sal da sociedade e que por isso não têm medo de se reconhecer pequenos frente a Deus, mas que ao mesmo tempo denunciam o que não funciona e são sinal de mudança, não somente com as palavras, mas com uma vida vivida plenamente em Deus. Esse é o caminho que queremos percorrer nesta quaresma para depois ressuscitarmos com Jesus na Santa Páscoa. Este é o nosso destino: a ressurreição.

clique para ampliarNesse contexto se insere, neste comecinho de quaresma, também a reflexão da Campanha da Fraternidade, que em 2014 é sobre o tráfico humano. Podemos pensar: “O que temos a ver com esse tráfico?”. Mesmo parecendo à primeira vista um tema que não nos atinge, se abrirmos bem os olhos e a mente perceberemos que ele está muito presente na nossa vida. Na verdade, as pessoas escravizadas ou semiescravizadas estão presentes nas nossas ruas, nos nossos bairros. Nós as encontramos todos os dias, adquirimos mercadorias e produtos tão baratos que está na cara que são produzidos por elas – sem falar nos produtos não tão baratos cuja procedência não podemos confirmar. Conhecemos pessoas vítimas da droga e da prostituição. Muitas são invisíveis, não podem sair das próprias fábricas clandestinas, dos bordéis escuros; outras são anônimas constrangidas em tráficos ilegais. Na homilia da quarta-feira de cinzas, o Padre Marcelo deixou bem claro: “Essas pessoas não estão longe de nós, é só olhar nas nossas ruas!”.

clique para ampliarTambém a Fraternidade do Arsenal quer discutir sobra o tema da Campanha. Muitos dos nossos acolhidos são vítimas que se libertaram da escravidão, de situações às quais eram obrigados ou constrangidos.
Muitos se libertaram para sempre, outros só por um tempo. Nos encontros de oração das terças-feiras procuraremos orar principalmente por eles, escutaremos testemunhos, conversaremos com amigos e convidados.
Não queremos falar de coisas teóricas; queremos dar visibilidade a quem é invisível, e passar a seguinte mensagem (simbolizada, no nosso cartaz, pelo labirinto onde todos chegam à liberdade): todos nós – todos mesmo! – somos “feitos para ser livres”! Os nossos encontros não vão resolver de uma vez o problema do tráfico humano, nem fazer que todos os traficantes de pessoas se convertam de uma vez...
Mas com certeza espalharemos um pouco de luz em nossa vida e na daqueles que nos conhecem.