Sermig

A difícil estrada

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Um dia, experimentei a fome.
 Desde então lutei para que ninguém tivesse mais fome. Estive na prisão, estive doente, acolhi o estrangeiro, homem como eu. A minha vida mudou junto com a de meus amigos.

Vivemos o Reino de Deus: é aqui, é agora, se quem tem (e mesmo quem não tem) compartilha, se quem é socorrido socorre, se quem é amado procura amar sem receber nada em troca.

Hoje me sinto francês. Sou um jovem com os jovens assassinados. Não posso deixar de chorar desesperadamente por quem morreu, por quem matou, por quem envenenou suas consciências, por quem armou suas mãos.

Com todos os amigos que acreditam em uma humanidade nova, em um mundo novo; para quem, como nós, acredita que é possível, peçamos a Deus a força para continuar enxugando lágrimas, para não transformá-las em ódio, para teimarmos no amor, para o escolhermos mais uma vez, para continuarmos percorrendo decididos a difícil estrada na qual sabemos que misericórdia e verdade se encontrarão, justiça e paz se beijarão.

Ernesto Olivero