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Olivero: em São Paulo, uma casa para os jovens...

clique para ampliar Uma carta e uma oração do fundador do SERMIG, Ernesto Olivero, para encontrar uma casa para os jovens. Uma casa sempre aberta, na cidade de São Paulo, onde a cada momento do dia e da noite um jovem perdido, ferido, perseguido, drogado, machucado ou destruído possa encontrar a acolhida, a escuta, a amizade e a confiança de que precisam para recomeçar...








clique para ampliar Caros amigos,

Se relermos a nossa história, perceberemos como a presença do Espírito Santo nunca nos deixou sozinhos. Éramos pequenos e havíamos sofrido uma grande injustiça. Eu tive a força de dizer aos amigos que choravam: "façamos um mês de silêncio, Deus está falando conosco". Entretanto, naquela época eu sequer sabia o que era o silêncio; mas a raiva, essa sim, eu conhecia. Aquelas palavras não eram minhas, elas me foram sugeridas pela Presença que me habitava, apesar do meu caráter.




clique para ampliar Daquele mês de silêncio nasceu tudo, nasceu aquilo que vivemos. No silêncio, Deus falou conosco, fez que nos apaixonássemos pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, a origem de tudo, a humanidade, o amor. Ele estava dentro de nós, guiava os nossos primeiros passos. Nós confiamos, nos misturamos com a humanidade que bateu à nossa porta, acolhemos, amamos, enxugamos lágrimas, cuidamos de feridas, compartilhamos a dor, tentamos dizer sempre apenas sim. O sentimento que tínhamos dentro de nós nos fez ver no outro um irmão, sem diferença de pele, de religião ou de proveniência. Não apenas compartilhamos o pão com quem tinha fome, mas tentamos criar as condições para que as pessoas pudessem consegui-lo sozinhas; não apenas visitamos um irmão na prisão, mas demos a ele uma casa em meio a nós.

clique para ampliar Muito tempo atrás, no dia 8 de dezembro de 1986, por meio de um amigo santo, Dom Helder Camara, o Espírito Santo nos pediu uma particular atenção aos jovens; depois, novamente, uma carta sem data nos repetiu com as palavras de Madre Teresa: "Levem as crianças e os jovens para casa...".

Há muitos anos abrimos aos jovens as nossas casas, mas sinto que agora chegou o momento de ter uma casa justamente para eles, onde a cada momento do dia e da noite um jovem perdido, ferido, perseguido, drogado, machucado ou destruído possa encontrar a acolhida, a escuta, a amizade e a confiança de que precisam para recomeçar. Chegou o momento de realizar com o Espírito de Deus o que nos foi pedido: tomar Nossa Senhora conosco, a Mãe das Três Mãos, e, com o seu espírito materno, acolher os jovens, dar uma casa aos jovens sem nada, que são em um número inimaginável. Uma casa sempre aberta. Por isso, procuramos uma casa na cidade de São Paulo, uma casa em uma cidade de 20 milhões de habitantes.

clique para ampliar No passado, à espera do Arsenal de Turim, cercamos aqueles muros com silêncio e oração. A partir de hoje, festa da Santíssima Trindade, começamos a rezar para encontrar a casa para os jovens, e o faremos todos os dias por um mês nos lugares aonde os jovens vão para se embriagar, para se drogar, para se destruir. Rezaremos nos piores lugares de São Paulo, onde ninguém quer se aventurar. Iremos justamente ali para rezar e para levar o nosso silêncio. Para perguntar onde devemos abrir essa casa e pedir por alguém que nos ajude a fazê-lo. Iremos ali para rezar livres para fazer a vontade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, confiantes como crianças, fortes e ingênuos na Trindade.

Espírito Santo, sabemos quantas vezes nos falastes. Acredito que nunca perdemos uma oportunidade de seguir as vossas sugestões. Acredito que não seja nossa, mas vossa, a ideia de abrir justamente aqui, em São Paulo, em uma cidade imensa, símbolo de todas as metrópoles do mundo moderno, uma Casa do Silêncio. Uma Casa vossa; ou seja, uma Santuário para a acolhida de todas as necessidades e dores, dedicado a Maria Mãe dos Jovens. Sabeis que não temos os meios, mas apenas o amor que nos colocastes no coração. Mas confiamos em Vós, e vos dizemos isso com o nosso silêncio.

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Senhor, com confiança
vos pedimos algo para os jovens perdidos
como ovelhas sem pastor.
Nesta grande cidade de São Paulo,
procuramos uma casa para todos eles,
para que possam renascer
e levar de volta para Vós este mundo
que perdeu o sentido da vida.
Essa casa terá o coração
da vossa Mãe e nossa Mãe,
que por eles se deixou chamar
Mãe dos Jovens.
Com eles
o mundo caminhará em direção à justiça,
guerras e fome
não habitarão mais em meio a nós.

Ernesto Olivero

31 de maio de 2015
Festa da Santíssima Trindade
e Visitação da Beatíssima Virgem Maria