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Uma revolução de amor... Dedicado a Paulo VI

Ontem (19.10/2014) foi um dia muito especial: Paulo VI foi beatificado numa Praça São Pedro repleta de fiéis. "Em 1976, ele me disse que esperava de Turim, terra de santos, uma revolução de amor" (Ernesto Olivero).

O encontro com o Papa Paulo VI foi um dos eventos mais importantes da nossa vida, porque, em 1976, quando senti a necessidade de criticar a Igreja, eu fui até ele. Mas para nós a palavra "crítica" sempre foi na realidade um amor fortalecido... Não um julgamento irrevogável, não uma condenação, e sim o desejo que Deus colocou no nosso coração desde o começo: o de querer uma Igreja onde Deus habita, onde Deus fala e onde os homens e as mulheres ouvem e tornam-se testemunhas.

Em 19 de maio, eu fui até ele na esperança de encontrá-lo mesmo não tendo um horário marcado. Ele ouviu críticas muito duras contra a Igreja vindas de uma pessoa que não conhecia, que o encontrava pela primeira vez. Mas ele sentiu que em mim falava em primeiro lugar a minha postura, falava antes de tudo o amor a Deus que eu tinha no meu coração. E me disse: "O senhor tem razão. Faça o senhor o que pediu para mim. Eu o abençoo, porque espero de Turim, do Piemonte, terra de santos, uma revolução de amor."

Enquanto me abraçava, eu pensei que a nossa casa seria aqui, em Turim, no Arsenal, embora nós ainda não soubéssemos de sua existência. Naquele abraço ele já enxergava o que nós não víamos ainda, mas que já sentíamos. No dia em que o mundo inteiro conhece melhor Paulo VI, nós queremos recordar que já o conhecemos graças ao nosso desejo de amar a Igreja. Desde então, o nosso compromisso é amar a Igreja como Jesus a quis, como Jesus quer. Sem "se" e sem "mas". Sem julgamentos, mas com um forte amor em nós.

Tivemos uma bênção especial do Papa Paulo VI quando ainda não sabíamos quem éramos, mas ele, através do Espírito Santo, nos viu já assim. Apesar de hoje não termos conseguido estar presentes da cerimônia de beatificação, estavamos là na comunhão dos santos para agradecé-lo na oração e com ele recordar também padre Michele Pellegrino, um grande homem de Deus que nos amou, nos conheceu e nos compreendeu, que teve a coragem de me enviar a Roma naquele 19 de maio de 1976. Ele também nos tinha reconhecido quando nós ainda não sabíamos quem éramos. 

Ernesto Olivero