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Fraternidade da Esperança realiza a 4ª Vigília de leitura contínua da Palavra

clique para ampliar Pelo quarto ano consecutivo, na noite do dia 5 para o dia 6 de setembro, o SERMIG - Fraternidade da Esperança realizou a “Vigília de leitura continua da Palavra”, uma iniciativa que nasceu em 2011, no Arsenal da Esperança, por ocasião da passagem dos símbolos peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) pela Arquidiocese de São Paulo.

A edição deste ano – que contemplava a leitura dos livros históricos, com a narração da difícil entrada dos israelitas na terra prometida – começou com um breve momento de oração: o Evangelho das Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12a) foi lido em cinco idiomas diferentes para representar, também fisicamente, os milhões de pessoas que, antigamente e hoje cada vez mais, caminharam e caminham no Brasil e no mundo em busca de uma nova terra para se instalar.

Esse“caminho” foi também a ideia da cenografia deste ano: como um facho de luz, a Palavra guia os nossos passos, o nosso caminho para a terra prometida.

clique para ampliar A leitura contínua foi aberta com o primeiro capítulo do Livro de Josué lido pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, Cardeal DomOdilo Pedro Scherer. Como nas edições anteriores, centenas de pessoas se revezaram no Salão Vida Fraterna, preparado para que todos (apesar do frio deste ano!) pudessem entrar em clima de oração. Entre os numerosos leitores (cerca de 100 pessoas) destacamos a presença de Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, vigário episcopal da Região Lapa.

A leitura prosseguiu a noite toda e terminou às 6h do sábado com a celebração da Missa que foi presidida por Dom Tarcísio Scaramussa, recentemente nomeado pelo Papa Francisco bispo coadjutor da Diocese de Santos.

clique para ampliar O painel próximo à entrada do salão, que todo ano prepara uma surpresa para os que chegam à Vigília, neste ano era composto por pequenas fotos das milhares de pessoas que fizeram e fazem parte do Arsenal da Esperança. Todos esses rostos juntos formavam bandeiras da paz e a palavra “OBRIGADO!”. Com esse “OBRIGADO!” queremos agradecer a todos aqueles que participaram e contribuíram com a realização dessa Vigília que já está se tornando uma tradição do mês de setembro, dedicado à Bíblia no Brasil.

 

 Um pouco da história da “leitura contínua da Palavra”...

"A Palavra de Deus é simples e busca como companheiro um coração que escute", dizia o arcebispo de Milão, Cardeal Carlo Maria Martini. A realização de uma leitura contínua da Bíblia, sem comentários e com breves pausas musicais, se insere nessa linha da simplicidade... Mas vamos fuçar um pouco na história para descobrir a origem dessa ideia...

A primeira “Leitura contínua da Palavra” noticiada aconteceu em 2005, numa cidadezinha francesa chamada Limoges. A ideia não veio por ocasião de um encontro inter-religioso ou de um congresso teológico, mas durante um intercâmbio entre duas escolas. Em 2004, uma professora de inglês de Limoges ouviu um colega alemão contarque tinha participado de uma leitura parcial da Bíblia na Catedral de Nuremberg, lugar simbólico por ter sido palco, já no século XVI, de perseguições antijudaicas. A partir dessa conversa, a professora inventou a ideia de uma leitura contínua da Escritura, que originou La Bible en continu, “uma grande ideia, um projeto louco, um ato verdadeiro”, como está escrito no cabeçalho do site:<http://www.labibleencontinu.com/>.
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clique para ampliar Ao longo dos anos, o evento foi reproduzido em várias cidades francesas e italianas, como Mântua, Bolonha, Údine e, em 2008, em Roma. Na capital italiana, por ocasião do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, a TV Pública RAI promoveu a gigantesca iniciativa La Bibbiagiorno e notte, com mais de 1.200 leitores provenientes de 52 países. Naquela ocasião, na Basílica Santa Cruz de Jerusalém, no dia 5 de outubro, Bento XVI deu início à leitura integral – que continuou por seis dias e sete noites – dos 73 livros da Bíblia católica.

Vários aspectos fazem desse tipo de iniciativa um momento significativo...

clique para ampliar A leitura contínua ultrapassa os indivíduos que a realizam, mas não pode continuar sem eles. Quando um leitor termina de ler, ele permanece por um tempo ouvindo a leitura dos outros participantes, depois volta para casa, alguns até para o trabalho, outros permanecem a vigília inteira, mas ninguém pode deixar de pensar em quem está continuando a emprestar a sua voz (no meio da noite) para que a história possa prosseguir.

Mesmo os momentos mais difíceis, os capítulos mais escuros (como aqueles que lemos na edição deste ano – “Livros históricos” – que relatam uma impressionante sequência de guerras, violências, conquistas...), acabam tendo seu sentido revelado dentro do desenho maior formado pela Escritura.

clique para ampliar Outro aspecto interessante e desafiador, sobretudo quando se lê o Antigo Testamento, é a dimensão literária: os textos estão escritos de acordo com os princípios da retórica semita, diferente da ocidental, e isso muitas vezes representa um obstáculo para a compreensão dos textos. Todavia, deixar que a Bíblia fale por vários capítulos permite aos ouvintes entrar em um ritmo e um estilo diferentes, mas não por isso inapreciáveis.

 

 


clique para ampliar Um último aspecto, também interessante, é o fato de que esse tipo de leitura requer uma união de forças: nenhum grupo pode assumir individualmente a realização completa desse projeto... É necessário trabalhar em conjunto: jovens, adultos, membros de comunidades, de movimentos, de pastorais e da sociedade em geral juntam suas vozes para dar voz a uma única Palavra – dinâmica essa que seria importante levar para a vida cotidiana das nossas comunidades.

  


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