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ANTONIO PALLADINO, simplesmente um bom cristão

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No próximo domingo, dia 16 de fevereiro, vamos lembrar de Antonio Palladino, membro da nossa Fraternidade da Esperança brasileira, que já está no Arsenal do Céu há três anos. Normalmente falamos sempre bem de quem não está mais em nosso meio, mas para quem não conheceu Palladino seria bom saber que este brasileiro, orgulhoso de suas ori gens italianas, não perdeu nunca a ocasião de ser sal e luz para os outros. Simplesmente um bom cristão que adotou o Arsenal da Esperança desde o começo e fez dele a sua segunda casa. Embora, caso perguntássemos a sua esposa Maria Teresa, essa com certeza responderia que o Arsenal seria sua primeira casa.

Escutamos neste domingo as leituras e o evangelho (Mt 5,13-16) que nos convidaram a ser sal e luz para a humanidade. Sal e Luz. O que isso significa para cada um de nós? Com certeza seria ser uma boa nova em um mundo onde tudo é brilhante na superfície e frágil por dentro e que é permeado por relações deterioradas e às vezes inexistentes. Em um mundo assim, precário e mascarado como em um carnaval que não mostra jamais a sua verdadeira face, precisamos ser luz e sermos verdadeiros por dentro e por fora.

Ernesto Olivero (fundador do SERMIG e dos Arsenais) deu um nome a este ser luz e sal: gratuidade, misericórdia e deixar falar a lógica de Deus em um mundo onde fala somente a lógica do “eu”. Trata-se de surpreender com a bondade que desarma, com o perdão imediato, com a procura da paz incessante. Trata-se de se deixar surpreender por Deus, pela Sua ação em nossa vida, mas também surpreender os outros que encontramos no caminho. Ernesto nos avisa: seremos luz e sal, não pela comunicação de coisas grandes que fizemos ou pelo orgulho dos belos discursos, mas pela constante não-rendição ao mal e à indiferença diante de quem é nosso amigo e caminha ao nosso lado. O cristão não acolhe para receber algo em troca, mas acolhe porque é justo acolher o outro que é seu irmão.

Palladino nunca saia do Arsenal sem perguntar se era preciso fazer alguma coisa, qualquer coisa: o importante era ajudar. Sempre multiplicava e não havia horário ruim para ele. Era um homem com a espiritualidade do SERMIG, feito para a Fraternidade, e, juntamente com a sua esposa, era um casal moldado para o SERMIG. Filhos, netos, sobrinhos e amigos eram todos convidados a participar das atividades do Arsenal. Palladino gostava de convidá-los pelas coisas bonitas que aconteciam no Arsenal. Se nesta casa ele (juntamente com toda a Fraternidade) tinha encontrado algo que lhe fazia bem, era preciso desejar no coração que todos pudessem encontrar a mesma coisa bonita.

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Este é o outro sabor do sal, a outra cor da luz: desejar que cada vez mais pessoas possam encontrar a verdadeira felicidade. E isto está em plena sintonia com Dom Luciano Mendes que vivia dizendo que a verdadeira felicidade era levar o outro a ser feliz, levando-o a Deus, ao paraíso. Agora, Palladino e Dom Luciano, juntos em um cantinho do paraíso chamado Arsenal do Céu, estão nos aguardando. Este é o segredo do cristão: jamais ficar na superfície, mas acreditar com profundidade na verdade que confessamos. Podemos nos surpreender vivendo os valores da vida plenamente, mas sempre tendo a consciência e reconhecendo que nossa maravilhosa terra é somente a antessala da nossa salvação. Madre Teresa de Calcutá (também ela amiga do SERMIG e já residente no céu) convidou-nos a convencer e a levar todos, especialmente os jovens, à casa do Pai.

Neste ano, gostamos da ideia de colocar no cartaz que relembra este terceiro ano que o sentimos próximo a nós de uma maneira diferente, uma foto do Palla quando era criança. Esta não foi uma época fácil para ele: boa parte da beleza da infância lhe foi tirada pela grave doença que o machucou. Mas é nesta roupa de carnaval, que nos lembra a boa essência da data, que ele era verdadeiro como devemos ser todos nós. Carnaval não é folia sem regras, ou divertimento sem freios, ou uma ocasião para nos escondermos atrás de uma máscara; afinal, já estamos escondidos no dia a dia porque muitos de nós são obrigados a se tornar uma outra pessoa nesta sociedade onde a maneira com que aparecemos é mais importante do que aquilo que somos. Mas quantos de nós não querem se desvincular disso? O carnaval pode ser uma ocasião única para viver a alegria e reforçar os laços da comunidade: não para esconder os problemas, mas para sairmos de casa e batucar com as caras limpas de quem quer mudar o mundo, enfrentando os problemas que nos distanciam. Aprendemos também de Palladino que em meio às dificuldades o verdadeiro cristão, que é luz e sal, não foge, mas as enfrenta em comunidade.
Palladino estará conosco na batucada do próximo sábado (15 de fevereiro) com o seu olhar de criança que enxerga o mundo somente como um carnaval que um dia vai acabar para dar lugar a uma festa melhor.

Lembraremos o terceiro ano do falecimento do nosso amigo Antonio Palladino no Arsenal da Esperança, neste próximo domingo, 16 de fevereiro, às 17 horas.