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FRANCISCO vai a Lampedusa...

Os milhares de jovens que se preparam para a JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE do Rio de Janeiro podem colher um sinal importante da (quase) primeira “viagem internacional” do Papa FRANCISCO, nesta segunda, dia 8, à ilha de Lampedusa. Uma viagem breve, mas fortemente simbólica, que abraça a consciência do mundo inteiro.

É comum, para a imprensa italiana, mencionar o nome de LAMPEDUSA, a pequena ilha, parte da região da Sicília, a 100 quilômetros da Tunísia, que nas últimas duas décadas tornou-se a porta de entrada de milhares de refugiados que se arriscam, em precárias embarcações, em busca de um futuro melhor na Europa.

Surpreendentemente, o Papa Francisco faz aqui a sua primeira viagem para fora de Roma. Ele vai à extrema fronteira meridional da Europa, nos últimos retalhos de terra italiana que por séculos constituíram uma fronteira histórica: o limite da cristandade, o contato com o islã. Uma fronteira marcada por inúmeros conflitos, um muro invisível, mas real, entre dois mundos antagônicos.

A Primavera Árabe e os recentes acontecimentos do Egito, da Turquia, da Síria tornaram o mar Mediterrâneo novamente uma região turbulenta. Mais a sul ainda temos a África subsaariana, a Somália, a Eritreia, a Etiópia, o Sudão, com seus enormes dramas humanos e sociais, as guerras, o terrorismo, a instabilidade política, que provocam os grandes fluxos migratórios do nosso tempo, hoje não mais apenas em direção à Europa, mas também para o Brasil.

Francisco visita essa periferia e reza por todos aqueles, milhares e milhares, que nesse trecho de mar morreram procurando fugir do desespero das guerras, do fundamentalismo e da grande contradição entre a riqueza e a pobreza. Nessa ilha se concentram a dor e, ao mesmo tempo, a grande possibilidade que existe de mudar o mundo. Mas temos que começar a enxergá-lo, a entendê-lo e a mudá-lo. O Papa, que daqui a poucos dias virá ao Brasil, já está a caminho. (Fotos: famigliacristiana.it)