Sermig

O nosso SIM é uma planta preciosa...

Caros amigos,
Cada vez que lhes escrevo, o meu ânimo aumenta porque Deus entra nas palavras, nos sentimentos que gostaria de compartilhar com vocês. O nosso bem mais precioso é o encontro com Deus que tem marcado nossas vidas. Aquele encontro aconteceu porque cada um de nós, em um certo momento, se viu indefeso, descobrindo uma profundidade que guardava dentro de si sem saber. 

Nós somos carne de Deus, somos sua casa. É algo que sinto fluir dentro de mim como a coisa mais natural do mundo, mesmo que não a compreenda profundamente. Como pode ser que o Criador das flores, das águas, das montanhas e de cada coisa seja meu Pai? Como posso explicar-me que esse Pai esteja constantemente unido a mim, com cada um de nós, somente o desejando, somente o desejando verdadeiramente? Ele pensava em mim quando dizia: Seja a luz; ele pensava mesmo em mim, Ernesto, e em cada um de nós, amigos.

Não é fanatismo. Poderia sê-lo se vivesse como um exaltado. Mas este “absurdo”, Deus-meu-Pai, me faz carne para os aflitos, me faz compaixão para eles e para mim mesmo; não mais julgamento como algum tempo atrás, quando Deus ainda me dava medo e eu O sentia juiz. Mas, na relação com Deus, se cresce: os olhos se abrem, o coração se dilata, escuta-se e enxerga-se melhor. Penso que comecei somente agora a degustar as suas maravilhas.

Por que lhes escrevo? Porque gostaria que a cada dia se tornasse mais claro o fato de sermos filhos de Deus, carne sua, casa sua. Gostaria de ser a sua consolação. Cada um de nós pode desejá-lo, pensá-lo para si e todos juntos serem corpo místico, comunhão: esses são os amigos de Deus!

O egoísmo de poucos mudou a face do mundo. O egoísmo encontra sempre aliados: fome, avareza, conflito, mentira. Mas, no começo, quando Deus criava, tudo isso não existia. Eis, gostaria de viver um novo começo! Sem sentimentalismo. O sentimentalismo, nós o transformamos com o nosso estar presente, disponíveis vinte e quatro horas por dia. Noite e dia. Pode-se sempre viver um novo começo se mudarmos o caráter, ou melhor: se deixarmos o Criador, que é Pai, mudar o nosso caráter. Abandonemos o velho caráter, aquele do homem velho, com seu velho medo e seu velho juízo. Eis: sinto-me novo. Renasci. E assim recomeço.

Cuidemos do nosso sim! Não nos cansemos de repeti-lo para nos deixarmos transformar sempre. Recomecemos mais jovens do que nunca. O nosso sim é uma planta preciosa que precisa de cuidado para ser vida também nas tormentas. Por que não nos fazemos o presente de nos tornarmos ainda mais uma bênção para os outros? Bendito aquele que vem em nome do Senhor! Bendito aquele que limpa a casa em nome do Senhor. Bendito aquele que fica em silêncio em nome do Senhor. Bendito aquele que faz levantar os olhos ao céu em nome do Senhor. Bendito aquele que serve em nome do Senhor. Bendito quem ama e faz amar os outros, também os inimigos, em nome do Senhor.

Queridos amigos, este é o Paraíso. Sem retórica. Um Paraíso na terra, a antecipação do mesmo Paraíso no Céu, com o amor de Deus que nos envolve. Só assim poderemos nos sentir unido a nós este amor, o amor de um Deus que é Pai e que em nós pode tudo. É esse meu voto para a Páscoa, para que seja uma Páscoa normal, capaz de nos fazer amar mais a Deus e de nos fazermos guardiães uns dos outros. Guardiães em modo particularíssimo da nossa vocação, para que seja digna do amor de Deus.

Quero-lhes bem. Rezem por mim para que eu possa ser digno de rezar por vocês, como nos ensinou o nosso caro Papa que está nos fazendo redescobrir a beleza de sermos simplesmente cristãos, simplesmente de Deus. Gostaria que, na comunhão dos amigos de Deus, o Papa sentisse quanto lhe quero bem, quanto lhe queremos bem. Abençoem-me para que eu seja digno de abençoá-los!

Ernesto Olivero