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O SIM QUE DÁ A VIDA

O mundo está cheio de tristezas e medos, que afligem também tantas pessoas que escolheram dar a vida. Onde está fundado o nosso “sim”, a nossa esperança? É necessário visar constantemente ao amor, que é novo a cada dia...

O sim total e sem condições com que aderimos ao Senhor na nossa Fraternidade não tem o sabor da obrigação; é, em vez disso, o fruto de uma escolha pessoal, livre e madura que nos torna pessoas dispostas a dar a vida. Eu poderia dizer “capazes de dar a vida”, mas nas coisas de Deus nunca se é capaz, nunca somos capazes o bastante para comportar a grandeza de Deus. Por isso é sempre Ele que se aproxima, que dá o primeiro passo, e nós, por sua graça, nos dispomos a acolher o seu projeto e a realizá-lo.

Na busca do caminho de dar a vida por amor, livres para escolher, nos tornamos pessoas completas, formadas e descobrimos o potencial de um sim que se repete a cada dia, sempre novo, sempre mais profundo, sempre mais livre. O “sim” só é verdadeiro se é livre de condicionamentos, só assim a pessoa coloca em ação todo o seu potencial para amar. Chegamos a ser livres também no dar a vida, livres também quando aceitamos as condições colocadas por outra pessoa – e no viver juntos isso acontece frequentemente! – ou por fatores externos – uma doença, a perda de uma pessoa querida, a partida para um país longínquo. Mesmo em condições assim extremas, uma pessoa realmente formada chega a sentir-se livre, leve, realizada até mesmo quando humanamente perde tudo. O amor não é amor a não ser na liberdade. Nessa liberdade experimentamos poder amar com o coração indiviso, amar a cada um como ama Deus, que se faz tudo a cada um.

Jesus nos ensina bem essa relação de amor profunda com cada um daqueles que encontra e nos faz experimentar que para Ele cada um é único. Vivendo em fraternidade, família de famílias, aprendemos na liberdade a amar-nos uns aos outros e ao mesmo tempo a amar a todos como irmãos, como amigos, mas sem criar dependências que nos limitam no dom, sem procurar retribuição e, sobretudo, sem se tornar dependentes do humor dos outros.

Nos nossos relacionamentos fazemos muitas vezes a experiência de precisarmos nos defender do outro que nos agride ou que procura nos prejudicar e frequentemente nos armamos com terríveis mecanismos de defesa que nos acompanham por toda a vida e que fazem de nós um pouco vítimas e depois – por reação – um pouco agressores. Ou frequentemente experimentamos o quanto é fácil que o humor de um condicione o humor de todos, o quanto é fácil que o mau humor se espalhe rapidamente, como um mal que atrai outro mal.

A dependência que muitas vezes se instaura nos nossos relacionamentos entristece, faz aparecer o pior. É assim em todos os lugares, e nem mesmo famílias e comunidades estão a salvo dessa luta do “eu” que busca encontrar seu espaço. Até certo ponto é normal que seja assim, mas depois, crescendo, é necessário tomar consciência disso e começar a conter o “eu” para dar espaço ao “nós”. É necessário assumir essa responsabilidade para formar famílias e comunidades onde a harmonia entre as pessoas prevaleça sobre as lutas pessoais, onde não exista mais a necessidade de defender-se do outro (a verdadeira força está em permanecer desarmados!), onde o humor de um seja logo contido pelo amor dos outros e o negativo de um não condicione todos a mostrar o próprio negativo.

O Evangelho nos imerge nesse novo modelo de relacionamento: Jesus comunica a todos um bem maior, faz simplesmente o bem a todos, faz surgir de cada um o bem. É um modo novo de viver junto e de viver bem: um amor livre que liberta quem o experimenta, alegra a vida de quem o vive, nos imerge na gratuidade de dar sem pedir nada em troca, simplesmente nos faz descobrir a alegria de fazer os outros felizes. Um "sim" é um bem que se comunica, comunica esperança e alegria e por isso é contagioso, atrai outros sim.

Não basta dizer sim uma vez na vida para viver assim. Para entrar nessa mentalidade e viver esse estilo é preciso um sim que se repete a cada dia, com boa vontade, buscando entender as razões de todos, buscando mudar com grande humildade, com seriedade e “ironia”, para não se deixar tomar pela arrogância, pela soberba. Como Maria.

Rosanna Tabasso 
SERMIG - Fraternidade da Esperança