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SERVIR À PAZ

Hoje há dezenas de conflitos no mundo e outros estão começando no Norte da África, no Oriente Médio e na Ásia. A paz continua perecendo utopia. Então porque devemos acreditar nela? Rosanna, da Fraternidade da Esperança, comenta a página da Regra sobre SERVIR À PAZ.

Quando lemos essa página da Regra lembramos do encontro de Ernesto Olivero con Giorgio la Pira, então prefeito de Florença e agora servo de Deus, a caminho da santidade. Era 1973 e esse homem manso e perspicaz escrevia: “Sim, ao desarmamento de Isaías não há alternativa: a PAZ constitui hoje – e sempre mais – o único sentido da história... ”. La Pira nos ensinou a acreditar que a paz não é uma vaga utopia de sonhadores, mas é a concretude da esperança, é acreditar, na escuridão da noite, que a cada manhã o sol volta a surgir.

Hoje há dezenas de conflitos no mundo e outros estão começando no Norte da África, no Oriente Médio e na Ásia. Em qualquer momento o desânimo pode fazer-se caminho, mas é apenas por um momento, depois ressurge do coração a resposta, clara como uma fonte de água: servir à paz é, em primeiro lugar, cultivar a esperança certa de que a paz é possível, apesar da complexidade de cada geração. É acreditar que a história que vivemos é parte da história de salvação do Reino que avança. Deus abençoará o Seu Reino com a justiça e com a paz, como Jesus anunciou, mas não sem nós. A paz é possível, mas, como cada dom de Deus, nos é dada a liberdade de procurá-la com um compromisso pessoal, de implorá-la com uma oração incessante, de escolhê-la com a vontade de nos desarmarmos nós mesmos.

Não é banal lembrar que em todos os níveis as escolhas de paz estão sempre ligadas aos sins e aos nãos de alguém, chamado à responsabilidade de nações; pessoas como La Pira foram capazes de antepor aos interesses econômicos – públicos ou privados – o bem do povo e fizeram avançar a paz. Não são jamais escolhas fáceis e não se improvisam; sobretudo não são escolhas que podemos sustentar sozinhos. É necessário cultivá-las junto aos outros, é necessário sustentarmos uns aos outros para preservá-las.

A nossa época é a época do bem-estar, do desenvolvimento econômico, mas também do grande egoísmo social e pessoal. É inútil negar que, em essência, a paz não é considerada como prioridade, mas quase como a débil bandeira de pessoas pouco concretas. Não é assim. A paz é a escolha de pessoas fortes, determinadas, dispostas a pagar pessoalmente tanto pela escolha pessoal quanto pela responsabilidade coletiva.

Mesmo se não formos envolvidos em decisões que poderão mudar o destino das nações (nunca diga nunca...), todos teremos sempre a tarefa de preparar o terreno para que ele seja fértil à paz, educando-nos para isso e educando as pessoas – sobretudo os jovens – uma a uma. Educando o lobo que há em nós, pronto a agredir para se defender ou para possuir, para vencer e para aniquilar o outro. O lobo do “eu”, se é deixado dominar, não tem limite, reconhece apenas a si mesmo e destrói quem quer que se aproxime. Ele se superestima e não há mais espaço de encontro com ninguém, o eu se torna a medida de tudo, os outros são inimigos, o sentimento mais forte é o rancor, a vontade de vingança. É a espiral do ódio e se insinua tanto em uma família como em uma fraternidade, tanto na política de uma nação democrática como na de um estado totalitário.

Educar-se e educar para uma cultura de paz e de vida significa educar-se a superar o ódio, a escolher o caminho do perdão, do respeito, a procurar aquilo que une, a superar as divisões com o diálogo, contribuir para converter o lobo da guerra, da fome, do desemprego, da não vida.

Quem serve à paz permanece vigilante, não deixa de esperar e de acreditar que, assim como desarmou a si mesmo, junto aos outros pode desarmar exércitos. É visionário? Não, é como a sentinela que durante a noite vê surgir a aurora no horizonte e anuncia o dia da paz.

Rosanna Tabasso
SERMIG - Fraternidade da Esperança