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FORMAÇÃO PERMANENTE

Terceira matéria sobre a Regra da Fraternidade da Esperança. Na semana passada Rosanna estava no Brasil e ouvimos o testemunho dela no Encontro de terça-feira (26/2/13). Aqui, ela fala da página “Formação permanente”...

Educar-se para educar é o espírito dessa página da Regra. Cada um de nós é antes de mais nada protagonista do próprio crescimento harmonioso, desde a idade da razão até o fim da vida. Ninguém que faz parte de uma fraternidade pode delegar aos outros a responsabilidade de formar-se como pessoa. Apenas pessoas bem formadas tornam sólida e completa a fraternidade da qual fazem parte.

Para transmitir a própria experiência, o próprio saber e para ser acolhido e ouvido principalmente pelos menores e mais jovens, é preciso aceitar e aplicar um método: preparar-se por toda a vida, treinar a inteligência, saber usar os “óculos” certos, ter ouvidos atentos, não habituar-se e, sobretudo, não sentir-se jamais como quem “cruzou a linha de chegada”, satisfeito como quem acredita saber tudo. Na base do método está a humildade de quem sabe que não sabe, de quem não basta a si mesmo, mas se sente criatura limitada, em contínua busca.

Penso em uma imagem da Escritura. Deus como o oleiro dá forma à sua criatura planejando-a, amando-a, dando um corpo à alma habitada por Ele. E então deixa que essa sua criatura complete a obra ao longo do curso da vida, tomando conta de si, do próprio corpo, do próprio coração, da própria mente; cada parte tem a sua dignidade e é essa totalidade que nos faz imagem de Deus, templo de Deus.

Frequentemente somos tentados a reduzir a formação ao saber, à esfera do conhecimento. É certamente necessário ter uma boa preparação teórica, um tempo dedicado ao estudo, ao aprofundamento, porque a nossa vida é extremamente complexa e principalmente neste tempo somos solicitados por problemáticas novas. Mas não basta. O saber nutre a mente, mas se não se mistura com a vida, não se torna sabedoria.


É preciso também aprender a ler os sinais do nosso tempo com a sabedoria do coração. Viver a estrada, a praça como uma escola, aprender com o momento presente, com as pessoas, com as situações que vivemos. Aprender com tudo e com todos.

No SERMIG costumamos concluir os nossos encontros respondendo à pergunta “O que aprendi hoje?”, para não fazer da teoria o mais importante, para não correr o risco de deixar escapar os momentos vividos e aprender a gravar na memória os ensinamentos colhidos. Somente aquilo sobre o que refletirmos se tornará parte da nossa vida e, portanto, terá contribuído para dar-nos uma forma mais completa.

É formação também o respeito ao nosso corpo: aprender a nutrir-se bem, a não usar a comida como um vício, mas escolher uma alimentação sóbria e sã; manter-se saudável, respeitar o repouso e o lazer, sem perder tempo com banalidades, mas buscando o próprio ritmo; cuidar do próprio aspecto exterior, não seguindo a moda, mas deixando transparecer a harmonia interior com o pouco que se tem.

Mas não há verdadeira formação se não nutrimos a alma com tempos de silêncio e de oração. Formar-se na vida espiritual é aprender a se voltar para o íntimo, entrar em contato consigo mesmo e com o Espírito de Deus que vive em nós. No silêncio aprendemos a conhecer quem somos, a aceitar-nos, a querer-nos bem, aprendemos sobretudo a sentirmo-nos habitados pela Presença de Deus. Rezando também aprendemos a entregar a Deus a nossa vida. O instrumento mais eficaz é certamente a Palavra de Deus: em cada página se concretiza o diálogo entre Deus e o homem, entre o Criador e a sua criatura.

O método dessa formação, de forma total e pela vida inteira, nos torna pessoas abertas ao novo, capazes de ouvir o outro, de confrontar-nos com o que não conhecemos, de dialogar com todos. Educa-nos a viver juntos em fraternidade e a formar as novas gerações. Mas para formar é preciso jamais parar de formar-se.

Rosanna Tabasso SERMIG - Fraternidade da Esperança