Sermig

Famílias

Segunda matéria da coluna semanal sobre a Regra da Fraternidade da Esperança. No artigo passado, Rosanna falou sobre a página “Vamos com um coração novo”. Falará agora sobre “Famílias”, núcleo histórico da nossa comunidade...

Na próxima semana, a Rosanna estará no Arsenal da Esperança. O 3º encontro sobre a Campanha da Fraternidade será com ela: o testemunho sobre um “sim” pronunciado quando era muito jovem e confirmado ao longo de mais de 40 anos de caminhada. Terça-feira, 05/03, às 20h. Esperamos você! 

Na nossa Regra há uma página dedicada às Famílias, que são o núcleo histórico do SERMIG e parte essencial do nosso presente: “O amor que une os que são casados, o amor que nos torna pais e mães, nos leva a abraçar a vida da Fraternidade, a dizer um sim total, sem condições, a viver as bem-aventuranças. Empenha-nos a fazer frutificar os dons que o Senhor nos concedeu e a assumir a responsabilidade que nos foi confiada”.

Essas poucas linhas reconhecem que cada família é um coração pulsante a quem ninguém – nem pessoas e nem sociedade – pode prescindir: o amor que une seus componentes é o mesmo que une Deus às suas criaturas e que é a própria fonte da vida. A vida de cada um de nós é fruto desse amor, que nos une mesmo com as imperfeições e os limites da nossa humanidade. Pode-se discutir sobre a crise da família como instituição, mas não se pode negar que um núcleo capaz de amar é necessário para que a vida seja cuidada e se desenvolva de forma harmoniosa. As famílias têm o direito de ver reconhecida a dignidade desse papel insubstituível. Dentro e em torno de cada família se desenvolve um universo de relações que dão qualidade a cada âmbito no qual ela se move. Quanto mais os laços de amor são autênticos, profundos, mais os pais são pais e as mães são mães, mais aquele núcleo afeta também a realidade social.

A Regra reconhece as famílias que se inspiram na possibilidade de viver no mundo um estilo de vida evangélico, conciliando o trabalho, a escola, a participação na vida da comunidade e da paróquia. Reconhece a possibilidade de viver as bem-aventuranças no mundo, como os cristãos descritos na Carta a Diogneto (II sec.): “Os cristãos (...) não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver. (...) Testemunham um modo de vida admirável (...) participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros. (...) Casam-se como todos e geram filhos”.

Não pessoas fora do mundo
, mas pais e mães de família, filhos, pessoas de todas as idades e posições sociais decididas a colocar no centro Jesus Cristo e o Evangelho, junto àqueles valores que, vividos com esforço e compromisso, dão plenitude e alegria a quem os vive.

Não há receitas e normas nesta página
; cada família já está sobrecarregada pelas regras impostas pelo mundo: despesas, horários, compromissos... Há, em vez disso, linhas abertas nas quais cada um pode se inspirar para tornar praticável o Evangelho hoje. Duas em particular, capazes de dar uma novo fôlego a todos: a 'espiritualidade da presença' e a 'restituição'. Em uma vida frenética, entre o trabalho do marido e da mulher (como fazer com apenas um salário?), a corrida para a escola dos filhos (quem vai levar? Quem vai buscar?) e depois natação, dentista, compromissos familiares, reuniões na escola, serviços... Não há tempo definido para parar e rezar. Ir à missa todos os dias para muitos é um luxo e no fim do dia não há mais forças... Então, a oração vem ao nosso encontro, não como um compromisso a mais, mas como uma Presença, uma lembrança que pode nos acompanhar no carro, no trabalho, enquanto cozinhamos ou fazemos compras. É a lembrança contínua de que Deus está ali conosco, de que Ele não é alheio à nossa vida e de que nenhum compromisso pode nos privar Dele.

E depois a 'restituição'. Reconhecer que tudo vem de Deus, nos é doado e pode ser restituído a Ele, quando doamos tempo, capacidade, energia para o bem comum. A restituição abre vastos horizontes, para que o ser no mundo possa se tornar louvor a Deus em tudo.

Frequentemente, quando se fala sobre esse tema, as famílias perguntam: “Como faremos?”. Mas o 'como' é deixado para a criatividade de cada família, capaz de se reinventar dia após dia, durante toda a vida.  

Rosanna Tabasso
SERMIG - Fraternidade da Esperança