Sermig

BOM para o mundo inteiro

Queridos amigos, no começo deste ano vem de dentro de mim um grande desejo de convidar todos a viver a experiência do Arsenal da Esperança. Até agora, nestes meus últimos 13 anos de Brasil, talvez eu tenha feito isso timidamente. Hoje, se tivesse mais coragem, talvez deixasse muitas tarefas e subisse na escadaria da Catedral da Sé ou ficasse debaixo do vão do Masp, para gritar a todo mundo o quanto é bom participar das atividades do Arsenal, ser parte desta “engrenagem” que anima, fazer parte de uma Fraternidade viva. É bom para quem participa, bom para a cidade e, como consequência, bom para o mundo inteiro. Hoje vou deixar este grito nesta “carta aos amigos”, conhecidos e ainda não conhecidos.


Todos procuramos tanto uma nova qualidade de vida e na maioria das vezes não a encontramos ou nos contentamos com aquilo que, na realidade, nos afasta da vida em plenitude. É ainda aquele “vírus” que atrapalha e afasta o homem da verdadeira alegria de viver, que nos faz indiferentes, que nos propõe um caminho de solidão. Mas eu, contra este “vírus”, aconselho a participação ativa no Arsenal. Melhor ainda: gostaria que cada um pudesse ser um “Arsenal de Paz” ambulante na cidade de São Paulo. Isso porque o Arsenal é um lugar de luta pessoal e comunitária contra este “vírus”, um lugar de desarmamento.

O verdadeiro inimigo não são os outros que limitam o nosso “poder”, mas, na maioria das vezes, somos nós mesmos. Eu estou apaixonado pelo Arsenal porque é um lugar sagrado onde as pessoas tentam ser melhores, onde há pessoas normais como eu que procuram não deixar passar batido o próprio compromisso com Deus e com a criação.

Se você se deixar convencer por estas poucas palavras, poderá encontrar aqui não pessoas perfeitas, mas amigos e amigas que estão “tentando” ser melhores, pessoas que fazem saltos mortais para não excluir nenhum desta possibilidade, pessoas que tentam não falar mal de ninguém, porque conhecendo a fadiga constante que enfrentam para tender ao bem, reconhecem que também o outro e a outra está “tentando”, com seu caráter, com seus defeitos, com seu passado e seu presente, enfim, com a sua vida, mas está “tentando”, talvez enfrentando a mesma fadiga. Afinal, quem não está tentando, quem não merece tentar novamente, quem pode ser descartado da possibilidade de “tentar” ser melhor e quem não está se esforçando para tender ao bem?

Aqui descobrimos que fazer o bem não pode ser algo superficial, mas é algo que mexe com toda a nossa vida. Às vezes pesa sobre as nossas entranhas, desafia os nossos sentimentos, mas depois descobrimos que não estamos sozinhos, muitos percorrem o mesmo caminho, onde o mesmo Deus está ao nosso lado; nós vivemos à sua presença, e um sorriso aparece no nosso olhar.

Acredito verdadeiramente que o Arsenal é um lugar
onde todos podem aprender a se desarmar, a trancar o próprio “eu” (que pouquíssimas vezes fala a verdade) definitivamente, esquecer que ele existe. É uma luta pessoal, particular, uma luta pela liberdade de quem não se deixa abalar por roubos, insensibilidades, indiferença ao bem, traições. Este chão, o da ex-Hospedaria dos Imigrantes, hoje Arsenal, é abençoado porque lavado pelo suor de muitos que tentaram, muitos que conseguiram, muitos que continuam tentando, continuamente.

Com esta carta quero simplesmente despertar uma esperança nova para todos. PEÇO QUE NOS ADOTEM, para podermos espalhar esta esperança ao maior número de pessoas. Peço uma ajuda, cada um sabe como pode contribuir, mas com certeza o presente maior é ver vocês participando das atividades do Arsenal, ou, melhor ainda, é compartilhar os “segredos” do Arsenal com renovada esperança. Curtir virtualmente sempre é bom, mas participar, podem ter certeza, é ainda melhor. Convido todos a visitarem o Arsenal e também quero dizer que estamos à disposição de comunidades, grupos de jovens e associações para compartilhar a nossa experiência, que cada vez mais é patrimônio desta cidade e de quem acredita que se pode construir um mundo melhor.


Juntos, procuraremos “tentar” este caminho
que nos aproxima da transparência, e quando esta esperança em nós, inevitavelmente, encontrar dúvidas, recorreremos mais uma vez a Deus, Esperança viva onde não há dúvida nenhuma.

Obrigado por ter chegado até o fim
desta carta. Fica ligado!  

Lorenzo
Fraternidade da Esperança