Sermig

Vamos com um coração novo

A partir desta semana, apresentamos uma nova coluna semanal sobre a Regra de vida da Fraternidade da Esperança. Toda sexta-feira, ela trará o comentário de uma das páginas da Regra escrito por Rosanna Tabasso, a primeira consagrada do SERMIG. Uma reflexão simples e informal feita por quem vive no dia a dia a espiritualidade dessa Fraternidade há mais de quarenta anos. Boa leitura!




A mim, vem o pensamento de iniciar essa coluna com a página da nossa Regra “Vamos com um coração novo: um compromisso para mim, mas também para as pessoas que nos frequentam, principalmente para os jovens. Porque essa página da Regra é dedicada a todos aqueles que colocam o próprio entusiasmo no cotidiano, indomáveis no seu sim.

Em um tempo como este, caracterizado pela agressividade e pela violência generalizadas, pela incerteza do presente, pelo medo do futuro... mais do que a vontade de partir para qualquer lugar, vem o desejo de refugiar-se em algum canto privado, não expor-se muito e esperar tempos melhores. Poucos se mostram e há um deserto de indiferença ao nosso redor. Quem se mostra frequentemente não está bem intencionado e os demais não se fazem nem ver e nem ouvir, incluindo os jovens. Mas, fazendo assim, acabam faltando as melhores forças! Tantos jovens bons, sérios, capazes, com o seu sim podem ser sal e fermento, podem se tornar descobridores das novidades do Espírito, podem levar uma verdadeira novidade ao mundo.

É tempo de sair e ir ao encontro das pessoas, voltar a encher estradas e praças, cuidardos bairros, das cidades, dos países em que vivemos, dos jovens, das pessoas mais frágeis e oferecer a todos sinais concretos da paternidade de Deus.

Sair e partir significa encontrar-se imersos na contradição do tempo e da sociedade, confrontar-se com a cultura de um outro país, com o legado muitas vezes incômodo das gerações anteriores, significa encontrar-se quase sempre na encruzilhada entre o bem e o mal, e escolher o caminho não é fácil. Não é fácil aceitar essas contradições nas pessoas que estão próximas, não é fácil não julgar, não responder à violência com violência e fazer-se próximo apesar de tudo. Em qualquer lugar do mundo onde estivermos vivendo, experimentamos este desafio contínuo.

Todavia, partir significa não render-se ao mal, acreditar mesmo contra todas as evidências que o impossível é possível. Basta pensar naquela página do Evangelho em que se narra que Jesus sobe na barca de seus amigos, exaustos por não terem pescado nenhum peixe, e os convida a lançar de novo as redes. E aquela noite de pesca fracassada se transforma em uma pesca milagrosa. Bastava escutá-lo e lançar as reder no lado oposto. É o coração que não é mais o mesmo de antes: reconhecer Jesus como companheiro de estrada, deixar-se guiar muda todas as perspectivas. A sua Presença nos revela uma história misteriosa, a história da salvação que avança em direção à plenitude, apesar do pouco ou do nada que se vê. Um coração que encontrou Jesus se torna parte da sua história.

Assim se vai, com a alegria de quem sabe participar de uma história sagrada, prontos a desafiar os lugares comuns, as dificuldades objetivas, pronto a arriscar, a inventar; se vai com a compaixão no coração, dispostos a reconhecer no outro um irmão e no mundo a própria casa. Não é preciso ir longe, basta abrir a porta de casa e pegar a estrada para iniciar a missão.

Mas as estradas para Deus, mesmo aquelas que partem da porta de casa, não se detêm em nenhuma fronteira e quem as percorre frequentemente chega longe. A nossa estrada, por exemplo, de Turim nos conduziu até o Brasil e a Jordânia, onde jovens da Fraternidade da Esperança estão vivendo para doar-se a pessoas de um país diferente.

O sim deles os levou para longe, por amor. Mas sabem que o “por amor” é repetido todos os dias: em missão se parte e se recomeça continuamente. Também a cada um deles desejo que em todos os dias deste ano decidam partir. Somente por amor.  

Rosanna Tabasso
SERMIG - Fraternidade da Esperança