Sermig

Nossa história: Anos setenta

Enquanto o SERMIG prossegue sua atividade em apoio aos missionários, cresce o desejo de encontrar uma síntese entre o amor a Cristo e à sua Igreja, e a justiça para com os pobres. Nesta direção, o grupo sai à procura de mestres de vida, pessoas capazes de transmitir valores fortes. Com a mesma intensidade empregada no trabalho prático, o SERMIG mobiliza milhares de jovens para dialogar com Raoul Follereau, Dom Helder Câmara (foto), Roger Schutz, Madre Teresa de Calcutá... E vários expoentes do mundo político, sindical e religioso. Esses amigos nos ensinam a compreender que, permanecendo unidos a Jesus, como o ramo à videira, nada é impossível. Desta forma, se descobrem e se fortalecem as dimensões do diálogo e da oração. 

O SERMIG decide destacar a importância destas duas atitudes com um compromisso semanal: nasce assim o “Encontro de terça-feira”, momento forte de oração e de partilha com os pobres, no qual o grupo encontra os amigos e as pessoas em busca de valores e de compromissos na solidariedade.

A década de 1970 é tempo de “Guerra Fria”, de guerra no Vietnã e de terrorismo político na Itália... A reflexão do SERMIG se focaliza, sobretudo, no desarmamento. “As armas matam, não só uma vez, mas quatro vezes. Primeira: só pelo fato de serem pensadas e projetadas, tiram recursos destinados à vida, à saúde, à educação. Segunda: jovens cientistas que poderiam investir as suas inteligências para curar doença 'incuráveis', para aproveitar com mais respeito o planeta, para encontrar novas fontes de energias, se colocam a serviço da guerra, inventando armas cada vez mais sofisticadas. Terceira: as armas quando usadas, matam de verdade. Quarta: preparam a vingança". (Ernesto Olivero). Meditando sobre a profecia de Isaías – que anuncia um tempo em que as armas serão transformadas em instrumentos de trabalho (Is. 2, 4) – começa a surgir em Ernesto, à intuição de procurar uma fábrica de armas para transformá-la numa casa a serviço da paz. 

No mês de maio de 1978, o SERMIG começa um diálogo com políticos e militares para pedir a permissão de entrar no antigo Arsenal Militar de Turim, lugar símbolo de GUERRA e destruição que há muito tempo havia caído em total abandono. A partir daquele momento, todos os dias, os amigos do SERMIG se encontram para rezar o Terço nos arredores do Arsenal, uma maneira de cercar aquela fábrica de armas com a oração. 

O envolvimento e a sensibilização de centenas de pessoas neste novo sonho é uma das maneiras que o SERMIG encontra para dar um sinal de esperança numa época de grande ódio e divisão: “Não é possível resolver todos os problemas, mas é possível ajudar o homem a despertar a esperança adormecida no seu coração, para que esta esperança se torne fonte de transformação” (Ernesto Olivero). As pessoas começam a reconhecer no SERMIG o dom de infundir esperança: se reforça e se alimenta assim o Carisma da Esperança.

No dia 29 de novembro de 1978 Ernesto Olivero encontra pela primeira vez o recém-eleito Papa João Paulo II. Concluindo o encontro, o Papa dirige-se a Ernesto pronunciando a seguinte frase: “De vez em quando, volte a me visitar”. Após receber esse convite, Ernesto ainda encontraria o Papa João Paulo II por mais de 70 vezes.