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Espiritualidade

O caminho da Fraternidade da Esperança começou do encontro com Deus, um encontro que mudou radicalmente a nossa vida, o nosso modo de pensar, de agir. A presença de Deus é a verdade que nos envolve. Em qualquer coisa que façamos, em todas as fases de nossa vida, Deus está em nós e age conosco. Nossa mentalidade é assim transformada de acordo com uma lógica que não é mais a nossa, mas é a lógica de Deus.

 

 

 

Espiritualidade da Presença

A nossa vida seguiu o caminho do Senhor quando descobrimos a oração, e a primeira coisa que compreendemos é que não sabíamos rezar.
Desde então, temos desejado com todo o nosso coração, com toda a nossa mente, com todas as nossas forças aprender a rezar, e a bondade do Senhor veio ao nosso encontro.
Rezar é restituir o tempo a Deus, desejar que Ele habite em nosso coração, pensar e querer o que lhe agrada.
A oração não acontece apenas nos horários estabelecidos, pessoais ou comunitários, mas aspira a fazer-nos caminhar na presença do Senhor. Então, a oração se torna vida e a vida se torna uma oração constante. Como os contemplativos, nos tornamos portadores de uma invisível mas real Eucaristia às pessoas distraídas, mas muito inquietas, do nosso tempo. Este era o papel de Maria, ao lado de seu Filho, no meio de seu povo, e é a razão pela qual Maria assumiu para nós uma importância particular. Por um lado, é o modelo de presença no mundo que nos inspira, por outro lado, é a intermediária para as orações difíceis e importantes da Comunidade. Cada oração especial passa por ela.


Espiritualidade da Restituição


Quando reconhecemos que a vida é um dom de Deus, nasce o desejo de amá-lo, de louvá-lo, de servi-lo nos irmãos. O "Pai Nosso" entra no coração, descobrimos a fraternidade entre todos os homens, filhos do mesmo Pai: a restituição dos nossos bens, das nossas capacidades, do nosso tempo e de todos os nossos recursos para a humanidade que sofre é a lógica consequência.
"Restituição" torna-se partilhar tempo, competências, cultura, bens materiais e espirituais com os pobres, para o seu desenvolvimento e a sua dignidade; ajudar as pessoas a descobrir seus talentos, a conceber a vida como um dom é um valor absoluto em todos os momentos e em qualquer forma de sua expressão; valorizar cada capacidade humana, por mais humilde que seja, e encontrar nos momentos de fraqueza da vida, como o tempo do sofrimento, o valor de doar-se.
A restituição nos ajuda a descobrir o que de nós ainda não é compartilhado com os irmãos: torna-se um caminho de conversão.


Espiritualidade da Acolhida

O homem precisa de uma casa, de trabalho, de educação e de cuidados médicos... Mas não lhe basta. O homem precisa amar e se sentir amado entre os homens, mas nem isso é suficiente.
O homem precisa de Deus, porque ele é filho de Deus.
Seus desejos mais profundos são o sinal de sua origem no Deus Amor.
É Deus que nos ensina a amar, que nos faz experimentar a comoção do coração, como ao samaritano do Evangelho.
É Deus que nos ensina a deixar as nossas seguranças, para responder às necessidades dos irmãos.


Espiritualidade da Paz


Dedicamos a nossa vida, a nossa oração incessante para converter o “lobo” da guerra, da fome, do desemprego, da não vida e, sobretudo, o “lobo” que há em nós para que a paz, que é dom de Deus, se manifeste entre os homens.
A paz é possível, mas o homem deve desejá-la. Existirá a paz se existir a reconciliação, se nós nos pedirmos reciprocamente perdão, se o ódio se dissolver, se emergirem o respeito, a concórdia, a mansidão.
Servimos à paz de todo o coração, um coração desarmado, que eliminou as palavras inimigo, rancor, meu, para substituí-las pela palavra “perdão”.
Não são as reivindicações que nos fazem encontrar os homens, mas, sim, a escolha pela bondade, que nos impele a buscar a justiça e nos torna pessoas solidárias.
Os bons nunca são estrangeiros, em parte alguma do mundo, não são estrangeiros para nada nem para ninguém.
A bondade desarma
: coloca a pessoa antes de qualquer razão ou interesse, considera o outro não como potencial inimigo, mas como alguém com quem é possível dialogar, reúne os homens além de sua diversidade e faz sentir a diversidade como riqueza que ajuda a crescer.