Sermig

Ernesto Olivero encontra FRANCISCO, “Papa esperado”

Hoje, dia 5 de outubro, é uma data particularmente importante para a nossa fraternidade porque é o aniversário de dom Luciano Mendes de Almeida. E, justamente hoje, em nome de toda a Fraternidade da Esperança Ernesto Olivero foi recebido em uma audiência privada pelo Papa Francisco. Contamos esse encontro através da entrevista concedida ao jornal italiano “La Stampa (VaticanInsider)”.

Olivero para Francisco: “Santidade, o senhor é o papa que todos esperávamos”.

O fundador do SERMIG – Fraternidade da Esperança foi recebido esta manhã pelo Papa: “Rezem por mim e continuem na caridade”.
Por Roberta Leone

“Falei para o papa que na oração que lhe demos um novo título: papa ‘esperado’. Sim, porque realmente a humanidade esperava um papa que falasse como ele fala, um papa que agisse como tanta gente espera dele.”
Parece que posso vê-los, Francisco, o papa do sorriso desarmante, e Ernesto Olivero, que fez da “bondade que desarma” o mote de uma vida inteira.
Desde 1964 até hoje o sonho dele e de um grupo de jovens, transformou a velha fábrica de armas de Turim em um Arsenal da Paz. Um “mosteiro metropolitano”, como o chama Olivero.
Uma escola de partilha para qualquer um que bata à porta. No SERMIG (Serviço Missionário Jovens) todos são acolhidos, em casa.

Em 1996 o SERMIG chega a São Paulo, no Brasil, e aquela que era “a casa dos migrantes” destinada aos europeus em quarentena se torna o Arsenal da Esperança para milhares de homens em situação de rua. Em Madaba, na Jordânia, nasce em 2006 o Arsenal do Encontro para crianças e jovens com deficiência, cristãos e muçulmanos.

Esta manhã, no dia seguinte ao da visita a Assis, o pontífice recebeu Olivero em audiência e assinou a imagem de Maria Mãe dos Jovens.

 

Olivero, como foi o encontro com o papa Francisco?

“Para mim foi um encontro de oração, porque foi na oração que o preparamos junto a todos os meus amigos. E me pareceu que o papa esteve muito atento ao receber o título que lhe demos e que entendeu que o valor da fraternidade do SERMIG é a oração.”

O que você pôde dizer ao papa Francisco sobre o SERMIG?


“Não falei a ele o que fazemos, apenas alguma palavras. Mas falei sobre as motivações e falei do foco que existe dentro de nós para o homem e para Jesus, este foi o centro e o ápice do encontro. Depois falamos de Nossa Senhora das Três Mãos e falei ao papa que, quando ele quiser, contarei essa história que durou dez anos, a mais inacreditável da minha vida.”

Você quer contá-la?


“É um ícone de Nossa Senhora vindo da Rússia, que nos Arsenais veneramos como ‘Maria Mãe dos Jovens’. A ela nos dirigimos com uma oração que foi assinada por três papas: João Paulo II, Bento XVI e esta manhã, dia 5 de outubro, papa Francisco. Podemos dizer, assim, que o Arsenal se tornará um santuário mariano. Fui tocado pelo fato de que o papa Francisco escreveu sua assinatura com uma letra minúscula. Enquanto assinava, era a imagem da humildade.

O Papa pediu alguma coisa ao SERMIG?


“Me pediu muitas vezes para rezar por ele. A oração, porque só com a oração o homem pode aproximar-se dos últimos com paixão, só tendo um encontro íntimo com Jesus se pode sentir o odor, a tragédia, o choro das pessoas. E depois, pediu para continuarmos na caridade. Não mostrei a ele as nossas contas, apenas contei como começamos as acolhidas. Quando entramos no Arsenal, éramos um simples grupo missionário. E um rapaz de dezoito anos, em uma daquelas noites, durante um encontro, aponta o dedo para mim e me pergunta: ‘Olivero, onde você vai dormir esta noite?’”.

Sobre as tragédias do mundo, ontem foi o dia da dor por Lampedusa...

“Ontem à noite em Turim fizemos uma vigília de oração por Lampedusa. Estavam ali todas as cores de pele. E no silêncio e no recolhimento do Arsenal, se rezava por essa pobre gente. Ontem, reafirmamos a nossa posição, e é esta: que a ONU, a Europa devem se tornar responsáveis. Mas também alguns países árabes, muito mais ricos que a Europa, deveriam fazer um exame de consciência. Essa gente não deve mais partir, devemos ir buscá-la em segurança. E aquelas nações riquíssimas devem investir também em solidariedade. É preciso dizer isso”.

O senhor diz que no início do SERMIG “tinham um sonho”. Qual é o seu sonho hoje, depois do encontro com o papa Francisco?


“Que os jovens retomem a própria vida nas mãos. Hoje os jovens não contam nada, não sonham mais. É preciso reacender neles a vontade de sonhar. Porque mesmo quando sofrem desastres, eles ainda têm uma pureza que o mundo dos adultos não tem mais. Se reacendermos essa pureza, ‘está feito’, então também a política, a economia, a Igreja terão o sabor dos jovens.”