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Papa na África: a mensagem de Francisco aos jovens....

clique para ampliar Ernesto Olivero, fundador do SERMIG - Fraternidade da Esperança, comenta as palavras do papa Francisco dirigidas aos centenas de milhares de jovens reunidos, no último dia 27 de novembro, no estádio Karasami, em Nairóbi, no Quênia.

Todas as palavras continuam sendo palavras, mas, quando é uma verdadeira testemunha que as pronuncia, cria-se silêncio, cria-se realmente escuta. Sobre os jovens, na minha experiência, eu já ouvi falar de tudo e mais um pouco. É moda falar deles, mas geralmente quem faz isso não é confiável, não convence ninguém. Por sorte, existem exceções, e o papa é uma delas. Fiquei comovido ao ouvir suas palavras, ver os rostos de quem o escutava, ouvir as perguntas daqueles jovens africanos, as suas expectativas e esperanças tão parecidas com as daqueles jovens que encontro todos os dias na Itália, no Brasil, na Jordânia.

clique para ampliar O coração dos jovens é sempre o mesmo, é o principal recurso pelo qual começar. Os jovens são o verdadeiro patrimônio da humanidade porque eles podem colher e tornar presente no mundo de hoje tudo o que o passado tem de bom. Nos jovens estão as sementes da santidade, da criatividade, da coragem e das milhares de oportunidades de fazer o bem que podem mudar o mundo. Muitas vezes esses recursos são desconhecidos, o mundo dos adultos não ama os jovens e quase sempre os deixa de lado. Pergunto frequentemente aos adultos: “Quantos jovens ainda devem morrer inutilmente para que abramos os olhos? Quando deixaremos de contar as vítimas das drogas, de um sistema econômico que cria a fome, que não deixa espaços, que prejudica vidas? Por quanto tempo ainda?”. Entretanto, os jovens também devem fazer a sua parte! Muitas vezes, especialmente no Ocidente, são eles os primeiros a negar-se uma possibilidade, uma oportunidade de fazer o bem, um sim decidido àquilo que pode dar um sentido.

clique para ampliar O papa disse bem: cabe a eles escolher. Escolher como viver a vida, escolher entre o bem e o mal, dizer os sins e os nãos que são importantes, comprometer-se concretamente com a paz, a justiça, a plenitude, com uma sociedade honesta, sem truques e favores. O mundo precisa de jovens assim: jovens indomáveis, jovens confiáveis, jovens que não tenham medo de assumir as consequências, de enfrentar as dificuldades, as adversidades, as incompreensões. Porque tudo pode se tornar uma oportunidade.

O papa pede aos jovens uma postura de “atletas”. E eu concordo com ele. Fico tocado com o sacrifício de grandes atletas, jogadores de futebol, mas também de músicos. São pessoas que, para dar asas ao seu talento, passam horas e horas treinando, esforçando-se, comprometendo-se. E isso é certo! Se esse método vale para uma bola e para um instrumento musical, com muito mais razão deveria valer para o coração, para a vida, para a interioridade. Nada é automático, nada nasce sozinho; precisa de constância, de paciência, de um método que nos faça defender um ideal com o coração e com os dentes, que nos faça caminhar lenta, mas decididamente, em direção ao projeto de bem que só nós podemos realizar. Não é uma utopia, é possível!

clique para ampliar Mas jovens assim precisam de adultos prontos a acreditar neles, prontos a apostar no papel deles, porque os jovens só podem ser o futuro na medida em que forem o presente. Ainda tenho nos olhos e no coração o testemunho de um ex-menino de rua que conheci alguns anos atrás. Depois de anos de pobreza e de solidão, foi acolhido nas comunidades do padre Kizito Sesana*, onde sua vida floresceu. Hoje, Mike é um jovem adulto que, por sua vez, acolhe meninos de rua como ele.

“Você não pode se salvar sozinho,” – ele disse – “não pode mudar de vida sem um coração que o escute e uma mão que o ajude a sair da lama.” Cada um de nós pode ser esse coração, essa mão. O papa nos recorda: podemos realmente ter mãos e corações assim, nós adultos podemos ser pais e mães, capazes de usar bondade e severidade, sem enganos e falsas promessas. Para gerar vida verdadeira.

Ernesto Olivero

* Missionário comboniano que vive e trabalha em Nairobi (Quênia)